O caminho mais coerente, sólido e estratégico para a Iniciativa Liberal em Lisboa será avançar, uma vez mais, sozinha nestas eleições autárquicas.
Com o aproximar das Eleições Autárquicas de 2025, intensificam-se as conversações e negociações sobre eventuais coligações autárquicas em Lisboa e a Iniciativa Liberal não é exceção.
Se em 2021 houve quem defendesse uma coligação e a Iniciativa Liberal tomou a decisão, e bem, de ir sozinha a eleições, mesmo correndo o risco de comprometer a eleição a Carlos Moedas e de manter o PS à frente da autarquia, será o cenário distinto este ano? Qual será o impacto da decisão da Iniciativa Liberal nestas eleições no futuro?
Por um lado, Carlos Moedas venceu as eleições, embora com uma margem reduzida em relação ao PS, demonstrando não precisar dos liberais para retirar os socialistas da autarquia. Por outro lado, a Iniciativa Liberal conquistou presença em diversas freguesias, quatro das quais como terceira força política, elegendo até 3 deputados municipais para a Assembleia Municipal de Lisboa nas primeiras autárquicas em que concorreu.
Perante este cenário, a Iniciativa Liberal fez o seu caminho, demonstrou ser mais do que oposição desmedida, afirmando-se como verdadeira alternativa e provou que veio para ficar e resolver os problemas reais dos lisboetas, com especial atenção em questões como a habitação, o alojamento local, as derramas municipais e a higiene urbana, trabalho esse bastante bem conseguido na minha opinião.
Assim, se uma coligação autárquica em 2021 podia ter sido perfeitamente justificável para a Iniciativa Liberal, enquanto mecanismo de afirmação em Lisboa e considerando o risco político de contribuir para a manutenção do PS na autarquia, agora parece não ter grande fundamento, sendo o cenário diametralmente distinto.
Desde logo, a candidata anunciada pelo PS parece não ser consensual, quer para os lisboetas, conforme sondagens recentes, quer para os partidos de esquerda, com a CDU a ficar de fora de uma eventual coligação à esquerda.
Já Carlos Moedas, não obstante os seus momentos menos felizes, parece ter conquistado os lisboetas, o que me leva a crer que o PSD não necessita, tal como não necessitou em 2021, da Iniciativa Liberal para ganhar as eleições.
Para além disso, discute-se a possibilidade de uma coligação alargada, que inclui o CDS, que continua a sobrevalorizar a sua real influência política, o que se compreende dado que o PSD parece ser atualmente o seu único mecanismo de sobrevivência, que não só parece preferir que as negociações sejam feitas em separado, como ainda ocupa alguns dos lugares que poderiam ser atribuídos aos liberais.
E a Iniciativa Liberal já provou que as ideias liberais sabem fazer o seu caminho, clarificado pelo excelente resultado nas últimas eleições autárquicas, pelo que que os lisboetas saberão seguramente reconhecer o seu bom trabalho nestas próximas eleições.
Mais, o risco político de uma coligação autárquica em Lisboa nesta fase da Iniciativa Liberal parece-me demasiado arriscado face aos benefícios que seriam retirados de uma vitória eleitoral.
Em primeiro lugar, porque os riscos de diluição da Iniciativa Liberal numa coligação me parecem demasiado elevados, considerando que os lisboetas deixam de ter a possibilidade de votar diretamente nos ideais liberais, levando a que a Iniciativa Liberal ficasse sem presença própria na capital durante os próximos 4 anos, mesmo com eventuais vitórias pontuais, levando a que rapidamente os lisboetas se esquecessem do trabalho realizado e das reais diferenças em relação ao PSD.
Em segundo lugar, uma coligação autárquica em Lisboa implicaria quebrar o voto de confiança depositado pelos lisboetas em 2021, numa fase em que a Iniciativa Liberal não tinha qualquer representação na capital e, ainda assim, sem garantias sobre a qualidade do trabalho a desenvolver, confiaram-lhe o seu voto.
Por último, uma coligação autárquica em Lisboa significaria desperdiçar todo o trabalho realizado até então pela Iniciativa Liberal, tanto na Assembleia Municipal, como nas diversas freguesias em que tem representação.
O caminho mais coerente, sólido e estratégico para a Iniciativa Liberal em Lisboa será avançar, uma vez mais, sozinha nestas eleições autárquicas, com os seus candidatos, o seu programa autárquico, em desenvolvimento, e as suas ideias, sem concessões, sem amarras e sem abdicar da sua identidade e das suas propostas por influência e taticismo político.
A ambição de exercer poder deve existir, é normal e faz parte do âmbito de qualquer partido político, mas jamais deve sobrepor-se à defesa intransigente dos princípios liberais. Esperemos que esta ambição não apague os ideais liberais da capital.